terça-feira, 30 de junho de 2009

Em visita ao Rodin

Não sei o que devo apontar
pois na descoberta do novo,
tudo é graça, tudo ameaça
e tudo irradia.

Foi uma mistura de tudo,
emoção, surpresa e de uma
espera que não existia.

Em meio a uma arquitetura moderna,
está ele alí,
com sua arquitetura barroca
dizendo que o passado ruia.

Fazendo a mistura do clássico
ao moderno, mostra, traça,
diz com graça que é possível trazer
o passado no meio de uma praça.

Diz também,
através da exposição na parede
que o regional, frente ao urbano,
pode encantar,
fazer pulsar o coração humano.

Amigos, eu tenho que confessar
que é difícil externar
que sentimentos meus
naquele momento fruia.

Sonildes Silva S. do Nascimento



Uma vez no Vietnã


eu vi a criança
além da criança
que em chamas corria
vestida de dor;
por trás d’uma tela,
ou em frente dela,
aos olhos do mundo
estúpido pavor.


Rudival Rodrigues

Quem mente mente

quem mente
quase sempre mente
descaradamente;
quem não mente ingenuamente
descaradamente mente,
mas quem não mente?!
verdadeiramente
todo mundo mente!
ingênua ou descarada mente;
e assim ou assado, sente somente
a mente de quem mente
quem sabe que mente.
por isso melhor mente
a mente que dificilmente mente,
porque sempre quem mente
até em verdade mente,
mas que mente,
de quem engenhosa mente mente!
ou será que há a que não mente, mente?!


Rudival Rodrigues

Palavras na bandeja (ou Self Service)

Por sua boca sinto um novo modo de vida:
Mais leve
Mais puro
Mais consistente

Sinto sílabas em pequenas porções de veludo
Frases como povilho de desejo doce
Palavras na bandeja

Banquete de olhares
E uma vontade gustativa de perceber tudo
Tudo em você

Começo pela fala mole
Goles e goles de conversa líquida
A meia xícara de carinho bem quentinho...

Um pouquinho a cada dia:
Café, almoço, à madrugada

Você, suas palavras, suas caras
E esse restinho esfarelado de esperanças perdidas.

Liliane Freitas

Despoetizando-me

a poesia escapou-me,
que pena
fiz um poema
despedido de minha ia;
chorei cada fonema
da pena e do poema
e na ânsia
dessa dor amena
me acena,
diga quem,
a poesia.

Rudival Rodrigues

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ondulações



Sempre quis descrever o mar em forma de poesia,
porém percebi que em sua imensidão
Poesia alguma o comportaria...
Parti para as inquietações de suas ondas
E descobri quão semelhante é o mar e o universo humano.
Suas ondas revoltas que mais parecem os desamores dos homens
Que se vão em um tempo e retornam noutro,
sem que antes possam se preparar para partida.
Ondas que levam sonhos, esperanças, até mesmo a saudade
Dos que ficam, dos que partem, deixando pra trás suas marcas.
Ah esse mar!
Que ouve em silêncio os sussurros dos apaixonados,
Que aceita o olhar vazio e inquieto dos solitários;
Esse mar que abriga o silêncio do deprimidos,
Acalma suas angústias com a dança suave das águas.
Oh, mar que lava o corpo e a alma dos crédulos,
Que alimenta seus sonhos, suas buscas...
Que faz parar qualquer vivente a admirá-lo
horas e horas em silêncio absoluto.
É exatamente esse mar vivo, acolhedor que mesmo com sua imensidão,
Trago para dentro de mim
Abdico desse vazio na alma para acolher essa maravilha
Tão singular que o meu ser comporta
Oh mar, doce mar.

Mônica Martins
Desmontagem

Você me lê
eu te observo
daqui (do
meu outro
lado) e escrevo
este arquivo falso
esta medusa
de mil truques
bric-à-brac
para você me
(se) crer vivo
de minhas
palavras
viro (sua)
carne, (sua)
plástica-estética-química
e me (lhe)
pinto das tintas
que leio
dos dedos cegos
de glauco, borges, homero
para de outro
corpo (me)
escrever
poema


Sandro Ornellas